Osasco/ABCD/Guarulhos

Borboletários da Grande São Paulo atraem turistas e curiosos

Osasco oferece uma gama de cores como motivo para pegar o carro e sair da capital. A cidade conta com um dos dois borboletários municipais da Grande São Paulo –o outro fica em Diadema.

Nos fundos do parque ecológico Ana Luiza Moura Freitas, no Jardim Piratininga, zona norte de Osasco, uma área telada abriga cerca de 400 borboletas de três espécies: rosa-de-luto, manacá e olho-de-coruja. Em dias sem chuva, o espaço abre as portas para receber visitantes –o passeio é de graça, acompanhado por monitores.

A maioria das pessoas que vai até lá é da própria cidade: cerca de 65% do total, estima Paulina Arce, bióloga responsável. O resto do público saida capital, que tem apenas um borboletário privado, e do interior.

Em 2015, cerca de 12.000 pessoas estiveram no borboletário de Osasco. Dessas, quase quatro mil eram crianças em passeios escolares.

Natural de Osasco, a administradora de empresas Rose Moraes, 42, passeia toda semana com a neta, Olívia, 5, no parque. "Ela sempre quer ir, é um lugar muito bonito. Poderia ser até maior", diz.

Hoje, o criadouro tem 132 metros quadrados, além dos 30 metros quadrados de laboratório. Dentro de uma sala de alvenaria fica o berçário onde lagartas de diferentes cores, tamanhos e comportamentos se alimentam e interagem sem parar.

Lagartas têm milímetros de comprimento quando nascem e podem chegar a dez centímetros só com uma boa alimentação, dependendo da espécie, segundo Paulina. Essa fase é a mais delicada para a criação de borboletas.

"São insetos vorazes, exigem atenção: algumas têm instintivamente comportamento gregário para confundir predadores, outras são canibais e precisamos separá-las ou mantê-las com alimento farto."

Dá para supor quais são canibais e quais são gregárias só de observar os ovos das borboletas nas plantas. Quando a espécie é canibal, a mãe põe um ovo por folha e, assim, evita que seus "filhotes" comam uns aos outros ao nascer.

Já as gregárias põem ovos juntos na mesma folha, para que as lagartas se unam e se protejam de aves e aranhas, entre outros predadores.

Cada espécie põe ovos somente em folhas que sirvam de alimento para as larvas. Por isso, os biólogos facilmente localizam e coletam os ovos no criadouro para levar ao berçário do borboletário.

DIADEMA

Em Diadema, o borboletário Tropical Laertes Brittes de Oliveira fica dentro do Jardim Botânico, no bairro Jardim Inamar, zona sul. Ali é possível acompanhar o ciclo de vida das espécies júlia, olho-de-coruja e rosa-de-luto.

O sucesso da criação das borboletas chamou a atenção do museu de ciências Catavento, em São Paulo. As duas instituições firmaram uma parceria: o borboletário de Diadema fornece borboletas já em estágio de pupa (popularmente chamado de "casulo") para exposição no museu paulistano.

Em troca, estagiários do Catavento são treinados no borboletário de Diadema para coletar os ovos dessas borboletas expostas no museu e enviá-los ao borboletário.

Hoje, Diadema abriga 1.200 borboletas no espaço de 200 metros quadrados. No inverno, o número chega a cair pela metade. Esses insetos são sensíveis a mudanças climáticas. Basta uma frente fria ou uma chuva para que muitas morram, lembra o biólogo José Vieira Gonçalves.

No entanto, com monitoramento e cuidados, é possível contornar isso. Em 2013, o espaço contava com cerca de 700 indivíduos. Hoje, o número quase dobrou.

Gonçalves diz que o sonho da equipe está próximo de se realizar graças à evolução do conhecimento de manejo : "Fazer com que o borboletário atinja o nível máximo, entre 4.500 e 5.000 borboletas", diz.

Para visitar os borboletários, é necessário agendamento prévio por telefone nos números: (11) 4059-7619 (Diadema) e (11) 3599-3516 (Osasco).

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